quinta-feira, 14 de junho de 2018

Portugal: Legalização e o Porquê de Portugal

Passaporto rosso, la chiave del mondo

Esse post foi publicado originalmente no antigo Blog do Corey e não necessariamente representa a atual opinião do autor.

É impressionante o poder de certas coisas. Reza a lenda que em algum lugar do mundo existe um botão vermelho que se acionado provocaria o fim do mundo com uma grande explosão atômica. Uma camisinha, simples objeto de borracha e que custa alguns centavos (centavos no Brasil porque no resto do mundo camisinha é um trem caro pra cacete) pode literalmente salvar sua vida, seja prevenindo de pegar uma doença sinistra ou engravidando uma doida qualquer que irá sugar seus rins no tribunal. Um livrinho de capa vermelha emitido pelo governo da Itália é um desses objetos que possuem super poderes. Hoje vou falar um pouco sobre a saga da cidadania italiana.

Desde criança ouvi do meu pai e familiares que "somos descendentes de italiano", que "seu bisavô veio da Itália ainda criança". As frequentes discussões entre os familiares, os tios que não se falam à décadas, a gritaria e abraços chorosos nas poucas reuniões na casa do meu avô, o pão caseiro da minha avó... tudo isso eram sinais que confirmavam a ascendência. Quando a ideia de sair do Brasil começou a brotar na cabeça, a primeira coisa que fiz foi correr atrás da possibilidade de "tirar" a cidadania italiana, coisa que aparentemente me permitiria muita coisa. Naquele momento não sabia que na verdade não se "tira" cidadania italiana, se "reconhece", porque pelo princípio jus sanguinis que rege a cidadania italiana, todo filho de italiano é também italiano, só precisa comprovar isso. Então meu avô é italiano por ser filho do meu bisavô que efetivamente nasceu na Itália, meu pai o é por ser filho do meu avô e assim por diante... Também não sabia do poder que a cidadania italiana possui, mas aos poucos fui descobrindo. Além de morar legalmente em qualquer país da União Européia eu poderia ainda morar nos Estados Unidos através do visto de investidor E2 que requer um investimento relativamente baixo, se tivesse menos de 30 anos poderia morar na Austrália através de um visto de trabalho temporário, e por aí vai...

Não vou me estender muito no assunto cidadania porque há muito material na internet mas basicamente para se reconhecer a cidadania italiana é necessário reunir as certidões de nascimento/casamento/óbito que comprovem a ascendência, ou seja, tive que juntar as certidões desde as minhas até as do meu bisavô italiano. Depois disso há dois caminhos: você dá entrada no processo no consulado da Itália de sua jurisdição e espera pelo menos 10 anos ou vai à Itália, estabelece residência e abre o processo na prefeitura da cidade (comune) que está morando, nesse caso demora cerca de 6 meses.

A coleta das certidões foram relativamente fácil, fui nos cartórios, paguei e consegui todas as certidões brasileiras, tive sorte por saber onde meus antepassados viveram e fui direto à essas cidades. Não houve problema algum, impedimento algum, achei todas as certidões tranquilamente. Entretanto faltava apenas um "detalhe": a certidão de nascimento italiana do meu bisavô. Onde encontrar saporra?! A Itália é um país grande e as informações que tive na família sobre a origem do antenato (meu bisavô) eram desencontradas, diziam que ele era de diversas regiões, de norte a sul do país passando inclusive pela Sicília. A coisa travou aí, foi nessa época que eu estava pensando em ir para os EUA com L1 e acabei deixando isso de lado, até comentei aqui no blog que tinha direito à cidadania européia mas meu caso era um desses "impossíveis".

Realmente seria impossível, mas Bia um dia fuçando no Facebook achou uma comunidade sobre o assunto e acabou se deparando com uma pessoa que fazia busca de certidões na Itália. A pessoa cobrava 500 euros para usar a bola de cristal, achar a certidão e enviar ao Brasil.


Como costumo dizer, problema que pode ser resolvido com dinheiro não é problema. Paguei os 500tão e 2 meses depois a certidão estava na minha caixa do correio.

Agora eu tinha todos os papéis que precisava, mas a vida estava correndo, tocando os negócios e perdido no que fazer da vida, acabei deixando tudo dentro de uma pasta verde e vermelha numa gaveta. Tinha a certeza que iria correr atrás disso mas naquele momento não ia rolar. O tempo passou, acabei negociando um desconto na assessoria para o processo na Itália, consegui uma passagem baratíssima para Milão e fui fazer meu processo...

(nesse meio de tempo tive que tirar novas vias das certidões brasileiras, traduzir, apostilar, enfim, houve um grande processo, estou resumindo tudo aqui)

Cheguei na Itália, a assessoria cumpriu o que prometeu (ainda bem porque o máximo que sei em Italiano é contar até dez, sinistra, destra, va bene, prego, grazie, catzo e porca madonna), estabeleci minha residência, dei entrada nos papéis, assinei um monte de coisa que pediram, fiquei alguns dias turistando na Europa e voltei ao Brasil. Deixei uma procuração para a finalização do processo. Alguns meses depois o escritório me liga dizendo: Corey, você é cidadão italiano! O processo tinha acabado. Dei entrada no meu passaporte italiano no consulado de São Paulo, Bia e eu choramos de emoção ao receber o danado em casa, a gente sabia que aquele objeto mudaria nossas vidas.

O processo todo custou exatos R$ 17.221,62 dinheiro esse que considero um investimento.

E por que Portugal e não a Itália, Inglaterra ou outro país da Europa?

Simples. Itália era fora de cogitação porque nem Bia nem eu falamos italiano (sei que tenho obrigação moral de aprender italiano, mas esse é um compromisso que ainda estou em falta), até pensamos na Inglaterra porém teríamos problemas para entrar com o cachorro e além disso acredito que não teríamos a mesma qualidade de vida que temos aqui em Portugal, embora ainda não descartamos ir para lá antes do possível Brexit, o problema do cachorro (deve ter documentação européia para entrar no UK)  já foi resolvido.

Então na verdade a questão não é porquê de não termos escolhido outro país "mais desenvolvido" e sim os porquês de termos escolhido Portugal. A resposta clara e objetiva é uma só: QUALIDADE DE VIDA. A gente saiu do Brasil, daquela loucura e balburdia, e vir para Portugal é quase um sabático de tudo isso. Qualidade de vida se traduz por muitas coisas: baixo custo de vida, salários compatíveis com despesas, pouco trânsito, pouca poluição, muito verde, tranquilidade, silêncio, facilidade com idioma, etc. Até agora a decisão tem sido muito acertada. Portugal não é perfeito, tem problemas, nem tudo são flores, mas é um país equilibrado. Equilíbrio resume praticamente tudo nesse país.

Bom, é isso, agora já sabem como me legalizei e o motivo principal para ter escolhido Portugal. Nos vemos nos próximos capítulos.

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