terça-feira, 6 de junho de 2017

Fracasso?

Esse post foi publicado originalmente no antigo Blog do Corey e não necessariamente representa a atual opinião do autor.

Hoje vou falar um pouco sobre o tal negócio que deu errado, aquilo que considero o maior fracasso da minha vida.

Após vender minhas 3 lojas, descansar alguns meses, viajar e pensar na vida eu precisava fazer algo. Bia e eu perdemos um pouco a vontade de emigrar (acreditamos que não devemos fazer isso agora), arrumar um emprego na minha área de formação me traria muito trabalho e baixo retorno financeiro (embora traria benefícios não financeiros), logo a ideia de comprar outra loja veio a tona. Por quê não fazer uma grana rápida?

A ideia era comprar uma loja quebrada e com um pouco de grana dar uma reformada, estocar e dar um up no faturamento. O esperado era aumentar o movimento em 200% em 4 meses e então "realizar lucro" vendendo-a. Nada diferente do que eu estava acostumado, nada diferente do que eu já tinha realizado. Resumo: a grana necessária foi 50% maior que o esperado, o faturamento aumentou 50% após 8 meses. Vendi a loja por menos que paguei/investi, perdi dinheiro mas poderia ter sido muito mais, esse prejuízo é algo que não fará muita diferença na minha vida, posso "queimar" essa grana sem muita preocupação. A vida não é só dinheiro. Trade de empresas (ou business flipping) é um negócio altamente lucrativo, até que dá errado, rsrs!

Não quero entrar em detalhes dos porquês da coisa ter azedado mas resumindo foi o seguinte: errei a escolha do ponto (no caso, a loja quebrada), errei no tipo de estratégia de vendas para o lugar (bairro classe média-baixa, fora da minha zona de conforto que sempre foi classe média-alta), errei no tipo de produtos e subestimei os concorrentes e a situação que o país se encontra. Acho que não preciso dizer mais nada...

O aspecto mais importante que quero tratar não é o porquê o negócio deu certo ou não e sim o como me sinto perante essa experiência. Mudei muito nos últimos anos, se um "fracasso" desses ocorresse 3 anos atrás eu estaria depressivo e bravo. Nada disso aconteceu! Assumo o fracasso, sei que errei, que quebrei a cara. Na minha opinião assumir isso já me deixa melhor, não tento procurar culpados ou razões porque a culpa toda foi minha, das minhas escolhas e estratégias erradas, logo não preciso justificar isso pra ninguém, só comigo mesmo. Aprendi pra caralho com esse negócio e a lição mais valiosa é que risco sempre existe e que você pode dirigir moto bêbado na chuva várias vezes mas uma hora você vai cair. Eu caí pela primeira vez, e machucou...

Aprendi que tenho forte aversão ao risco e com certeza esse negócio irá mudar várias decisões daqui pra frente, eu sempre lembrarei da loja ruim e do risco que assumi e quebrei a cara. Você pode dizer: "Corey, no pain no gain", e eu digo que sim, acredito nisso, acredito que todos devemos sair da zona de conforto, assumir riscos e ter resultados excepcionais, resultados diferentes daquelas pessoas que ficam sentadas no sofá comendo pipoca. Não se trata de fugir de riscos como o diabo da cruz e sim de saber até que ponto vale a pena assumir esses riscos. Tudo tem um limite, riscos tem limites. O meu limite é bem baixo, não tenho saúde pra ficar arriscando todo o tempo.

Fracassei mas saio de cabeça tranquila por ter feito o que estava a meu alcance, tenho certeza que meu sucessor terá mais sucesso que eu porque a situação dele é completamente diferente, o perfil dele é diferente, enfim, a loja é mais a cara dele que a minha. Fico feliz por isso, por ter passado a "bronca" pra alguém que saberá lidar com ela e não simplesmente ter me desfeito pra qualquer um. Continuo com certo risco envolvido no negócio afinal tenho prestações pra receber e faço votos que o brother lá tenha muito sucesso. O fracasso de uns é o sucesso de outros.

Aprendi que não sou o pica das galáxias do mundo do empreendedorismo que talvez um dia pensei ser, aprendi que sou um Zé Qualquer que teve muita sorte na vida e não um expert no assunto. Agradeço aos Deuses pela sorte e capacidade de fazer a coisa certa tantas vezes e não me queixo por não ter dado certo em todas elas, faz parte. Aprendi que devo ter mais cautela com meus investimentos porque provavelmente não terei mais da onde tirar somas vultuosas de dinheiro (como fiz durante esses anos de empreendedorismo), provavelmente minha fase de acumulação se encerrará com a última prestação que tenho pra receber das lojas. Sabe aquela história de "quem ganhou ganhou, quem não ganhou não ganha mais"? Pois é, se encaixa perfeitamente na minha realidade. Daqui pra frente muito provavelmente terei somente dividendos reinvestidos, nada de grana nova.

No fim das contas encaro esse fracasso como um curso onde paguei (caro) pra aprender a ter mais cuidado com o dinheiro, a ser mais humilde e não me achar fodão só por ter feito coisas certas algumas vezes, onde aprendi o custo do tempo (perder tempo foi o que mais me chateou nessa história toda), etc. Posso estar sendo Poliana e vendo o lado bom de algo ruim mas enfim, é assim que me sinto. Espero que todos sempre possam tirar lições de acontecimentos ruins invés de ficar choramingando e com mimimis.

Como diz a música: "reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima"

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Mudar de País? Sim, Mas Agora Não

Esse post foi publicado originalmente no antigo Blog do Corey e não necessariamente representa a atual opinião do autor.

Durante boa parte da existência do blog venho falando de como o Brasil é uma bosta e da minha vontade e planos para emigrar, agora volto aqui e digo que não quero emigrar agora... justo agora que tenho uma situação financeira legal e nenhum vínculo no Brasil que me segure por aqui, afinal vendi minhas lojas e minha família e amigos resume-se a Bia e o cachorro. Controvérsia? Não necessariamente...

Minha opinião sobre o Brasil em nada mudou, continuo achando um péssimo lugar pra se viver e não vou entrar nesses detalhes agora (até porque qualquer pessoa com 2 neurônios consegue perceber isso). Brasil é um lixo, brasileiro é uma praga. Ponto final. Acontece que a minha vida no Brasil não tão ruim, aliás nem posso dizer que é ruim, pelo contrário, vivo uma vida maravilhosa em terras tupiniquins.

Não existe nada físico que me prenda no Brasil, não tenho mais lojas, não tenho apego familiar algum, não tenho amigos, não tenho "um lugar que amo", nada disso; porém a vida não é somente coisas materiais/pessoas, a vida vai além disso... Bia e eu decidimos ficar mais alguns anos no Brasil por alguns motivos:

1- PROFISSIONAL: ano passado após vender as lojas realizei dois trabalhos na minha área de formação (aos recém chegado, reservo o direito de não dar maiores detalhes sobre no que me formei). Um dos trabalhos foi voluntário e o outro temporário (ganhando uma "merreca" (num post futuro falo mais sobre essa "merreca")). Resumo da ópera: aos 30 e tantos anos, quase 10 anos após formado eu pude finalmente trabalhar naquilo que estudei e que gosto, foi uma das experiências mais fantásticas da minha vida! Pra quem a vida inteira trabalhou 100% por dinheiro ter a oportunidade de trabalhar com algo que realmente sente tesão foi sensacional. Conheci um monte de gente nova, aprendi muito (absurdamente muito) todos os dias, me senti feliz por conseguir ajudar pessoas através do meu conhecimento (fico imaginando como deve ser gratificante para profissionais como médicos e mecânicos cujo trabalho é 100% conhecimento em prol de outras pessoas), fiquei muito feliz em receber feed back positivo, etc.

Na minha idade tenho consciência que nem tudo são flores e que não é possível imaginar que um trabalho full time será tranquilo como um voluntário ou temporário. Também sei que pessoas carniças estão aí por todos os lados tentando foder com a vida dos outros, entendo que todos os trabalhos no mundo tem prós e contras, comigo não é diferente. Bom, o lance é o seguinte: quero dar oportunidade a mim mesmo, trabalhar na minha área de formação durante algum tempo, sentir a "brisa" de fazer algo legal novamente. Durante anos da minha vida repeti que trabalho é uma merda e que quem diz ama trabalhar é doente. Continuo concordando em partes, trabalho é sim uma merda quando você não tem realização pessoal alguma com aquilo, mesmo ganhando muito dinheiro. Quem diz amar trabalhar e coloca trabalho na frente de tudo é sim doente, mas quem faz um trabalho com tesão e o tem de maneira saudável encaixado dentro da vida é afortunado.

Tenho 30 e tantos anos, me formei a quase 10 numa uniesquina da vida, tenho praticamente nenhuma experiência profissional, meus possíveis chefes serão todos mais jovens que eu, mesmo assim tenho a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho. Sou abençoado por isso e seria um grande desperdício não aproveitar essa oportunidade. Se eu emigrasse agora jogaria essa chance na lata do lixo porque com certeza daqui 5 anos essa oportunidade não mais existirá. Você pode falar: "Ah Corey! Você pode exercer sua profissão em outro país, você pode fazer diferença no mundo e atingir essa brisa em outro lugar, fazendo outra coisa". Sim, é verdade, aliás parcialmente verdade. Nem vou entrar no mérito da questão da equivalência de diploma (coisa extremamente difícil e muitas vezes impossível) mas o fato é um só: a oportunidade que sempre quis está aqui bem na minha frente, por que caralhos jogar isso fora e arriscar em algo trabalhoso e sem certeza de sucesso?

Nada me impede de ficar por aqui, agarrar uma oportunidade profissional bacana e daqui uns anos quando a "brincadeira" perder a graça me mando pra outro lugar. 30 e poucos anos não é idade pra pendurar as chuteiras.

2- PREGUIÇA: sou preguiçoso e minimalista. Durante muito tempo me enganei pensando coisas do tipo: "vou pro Canadá, estudo inglês, faço um college, arrumo um sponsor e me legalizo", ou: "vou pros EUA, abro uma filial da minha empresa brasileira pelo L1, trabalho duro e em 2 anos tenho green card". Bullshit! Sou preguiçoso pra caralho pra encarar um desafio desses. Tiro meu chapéu pra quem o faz, mas não é comigo, não tenho mais saco pra recomeços sofridos. Quando emigrar será de maneira tranquila, sem problemas com documentação nem esforços sobre-humanos, quero ir tranquilo, arrumar um trabalhinho e ficar de boa, sem sofrimento.

O estilo de vida minimalista te faz ter pensamentos minimalistas e práticos. Se quero trabalhar com algo que posso fazer aqui no Brasil por que vou sofrer pra burro pra emigrar e ainda por cima ficar com a cabeça no "ah, eu deveria ter ficado no BR e trabalhado na minha área..." Não faz sentido! Não vou fazer algo somente pra não me contradizer ou pra afirmar que meus planos estavam certos e que sempre estive certo em querer sair do país. Mudo de opinião mesmo, foda-se!

3- VIDA BOA: a verdade é que Bia e eu temos uma vida bem tranquila tanto do ponto de vista financeiro quanto prático. Atingimos a IF, a renda passiva convertida em Euro seria mais que suficiente pra morar em Portugal, por exemplo, mas aí ficaríamos a mercê de câmbio, uma preocupação que não tenho morando aqui no Brasil. Por aqui continuaremos trabalhando e não mexeremos na renda passiva, aliás é até capaz de rolar aporte.

Nossa vida é tranquila, podemos morar numa kitnet que seremos felizes (aliás, mais felizes que nesse apartamento enorme de 60m² que vivemos hoje), nos blindamos da violência e inveja através da prática da camuflagem: andamos de transporte público, temos celulares de 400 reais, carro de 22 anos, nada de roupas da moda, nada de comentar com "amigo" e parente sobre nossas conquistas financeiras... Enfim, passamos batido na multidão, ninguém é capaz de dizer que temos a situação financeira que temos. Veja que esse comportamento não é forçado, ou seja, não fazemos essas coisas buscando a camuflagem e sim o contrário, fazemos porque é assim que gostamos de viver, a camuflagem é efeito colateral, logo não é esforço algum nos mantermos dessa maneira o que nos deixa tranquilos com a situação. É óbvio que acho revoltante você ter que se camuflar de pobre pra não se foder e conseguir sobreviver no Brasil. Penso assim: meu carro de 22 anos me atende muito bem e sou feliz com ele mas se você quer ter uma BMW 2018, tem dinheiro pra isso, consegue mante-la, então tem todo o direito de te-la! Aliás, tem mais que comprar mesmo! Para uma pessoa assim o Brasil já se torna mais hostil, mas pra mim que sou simplão a situação não é tão ruim...

No Brasil você tem que achar alguma maneira de sobreviver. Alguns andam de carro blindado e moram em fortalezas, outros se misturam com os pobres. Ambos os casos são táticas de sobrevivência para ter uma vida boa mesmo vivendo nesse buraco.

4- MARGEM DE ERRO: certa vez ouvi o seguinte: "O Brasil é um bom lugar pra se viver porque aqui você sempre tem uma margem de erro que utilizada para o bem pode deixar sua vida mais fácil". A margem de erro na minha opinião tem a ver com o maldito "jeitinho" porém nesse caso ele não é tão maldito e pode ser utilizado para o bem. Durante anos da minha vida tentei combater o jeitinho e a margem de erro brasileira, o que ganhei com isso? Dois princípios de infarto, gastrite, sobrepeso, dores de cabeça, irritabilidade, revolta e pessimismo. Brother, aqui nessa porra ou você se adapta e usa o jeitinho ao seu favor ou você morre. Simples assim.

A margem de erro brasileira é algo institucional e governamental. Tudo é feito contando com essa margem. Durante todos os anos de empreendedor eu ganhei dinheiro utilizando dessa margem de erro. Seja brechas que o governo deixa, seja coisas "ilegais" mas que todo mundo faz e depois de um tempo nem lembra que não é permitido, "taxas de urgência" que as próprias agências governamentais cobram pra agilizar processos, etc. Antes que venham meter o pau pergunte a si próprio: em quantas placas de PARE você já parou na vida? Nos EUA se você não para num STOP você leva multa e dependendo da situação até vai pra corte... Ascensoristas, cobradores de ônibus e frentistas de posto são profissões realmente necessárias? Não, óbvio que não, mas existem devido ao governo. Vai dizer que o cara que vai trabalhar de frentista está errado em aceitar a vaga? Claro que não! Ele só está aproveitando uma brecha do governo! O mesmo vale pra funcionários públicos que quase na totalidade ganham mais e produzem menos. Estão errados? Claro que não! Mais uma vez estão aproveitando a margem de erro do Brasil. Entendeu onde quero chegar? O Brasil deixa brechas porque sem elas não se vive.

Várias pessoas podem questionar: "Mas Corey, e a situação política? Isso aqui tá uma bagunça". Sempre esteve e sempre estará, estou cagando e andando para o que acontece na política, quem rouba ou deixa de roubar, quem paga propina pra quem, que partido está no poder, etc. É tudo farinha do mesmo saco e uma amostra da população brasileira. Desde que minha vida esteja boa quero que o resto se foda, é egoísmo mesmo mas não vejo porque pensar diferente.

Enfim, resumindo, fico no Brasil mais alguns anos porque sou preguiçoso pra emigrar agora, tenho uma "missão" profissional por aqui e vou continuar aproveitando as facilidades de viver por aqui mas sem nenhuma ilusão que isso aqui vai melhorar.

sábado, 27 de maio de 2017

O Fim do Corey Empreendedor

Esse post foi publicado originalmente no antigo Blog do Corey e não necessariamente representa a atual opinião do autor.

Tem coisas na vida que são bem engraçadas, fiquei 2 meses sem aparecer por aqui, decidi postar avisando que os posts iriam demorar a voltar e agora, 1 mês depois reapareço novamente... Juro que não sabia que essa fase off ia durar tão pouco, rsrs! Como disse, vontade de escrever vai e vem, acho que veio novamente...

Hoje vou falar do fim do Corey como empreendedor, isso mesmo, não sou mais microempresário e nem pretendo ser novamente, claro que não digo "dessa água não beberei", mas no atual momento e circunstâncias não tenho o menor tesão em voltar a empreender.

Buteco fechado!
Não cheguei a publicar abertamente aqui no blog, mas pra quem acompanha e juntou os pontinhos percebeu que ano passado eu havia vendido minhas lojas, naquele momento eu tinha 3 lojas e após vende-las, tirei um sabático onde viajei bastante o que justifica a longa pausa que fiz no blog no ano passado. Além disso fiz trabalho voluntário (ou quase voluntário) na minha área de formação, o que foi uma experiência sensacional, pela primeira vez trabalhei com algo que realmente gosto. No fim das viagens e do trabalho na minha área eu tinha que fazer algo da vida, para que não ficasse louco ... As opções eram basicamente 3: imigrar, arrumar um emprego na minha área de formação ou empreender novamente. Imigrar perdeu bastante do brilho, já comentei aqui no blog, arrumar um emprego na minha área era a ideia mais excitante mesmo sabendo que o contracheque seria uma merreca, empreender não dava muito tesão mas foi isso que fui fazer... Fiz novamente 100% pelo dinheiro, puta que pariu, como sou idiota, eu não "preciso" de mais dinheiro, não havia porque arriscar dinheiro, tempo e um boatload de energia em algo com grande risco e retorno incerto, sendo que não precisava desse retorno. Maldita ganância e olho maior que a boca! Me fodi, de leve, mas me fodi. Pela primeira vez na vida perdi dinheiro num negócio, poderia ser muito pior e fico feliz por isso!

Caralho, eu alcancei a independência financeira, não há motivo pra arriscar e me foder com algo que não tenho prazer em fazer somente pra ganhar mais dinheiro, isso porque a perspectiva de ganho nem era tão boa assim... Fui um idiota! Enfim, o negócio foi finalizado, amarguei um prejuízo, perdi 1 ano da minha vida (essa é a parte mais dolorida), mas vou recomeçar do ponto onde parei ano passado. Bia e eu estamos de volta a estaca zero mas temos muito planos bem interessantes para o futuro, nesse exato momento estamos num pequeno sabático e em breve decidiremos que rumo daremos a nossas vidas. Uma coisa é fato, a ideia de voltar a empreender é algo assustador, que dá azia só de pensar. Nem pensar quero passar novamente pelo sufoco que passei nos últimos meses.

Não me leve a mal, durante mais de 5 anos tenho falado aqui no blog que empreender é uma excelente maneira de fazer dinheiro, mas também nunca escondi que é uma das atividades mais frustrantes e consumidoras de saúde que podem existir. Não se trata de cuspir no prato que comeu mas se você destrói sua saúde física e principalmente mental em troca de uma boa grana que você realmente precisa pra atingir seus objetivos, acaba sendo justificável. Porém a partir da hora que sua saúde está sendo consumida e nenhum dinheiro está entrando, brother, saia fora desse barco furado! Não posso cuspir pra cima, 100% do meu capital aportado veio de um jeito ou de outro do fato de empreender: ou foi grana de aporte periódico, fruto dos lucros das lojas ou (principalmente), lucro da venda de lojas. Empreender valeu muito a pena se você colocar na média. Tive negócios excelentes, outros médios e um péssimo, mas a média foi muito boa. Posso falar que obtive sucesso como empreendedor, o que não quer dizer que vou continuar nesse caminho.

Nunca neguei que sou preguiçoso, não tenho muita paciência pra fazer coisas complexas (mais um motivo pra eu não ter filhos), jamais senti tesão em "colocar toda energia num projeto". Faço mais o tipo "deixa a vida me levar", gosto de viver de maneira simples (posts sobre minimalismo no forno...), trabalhar pouco... Essas características não combinam com empreendedorismo, durante anos tampei o sol com a peneira, me esforcei pra ser diferente, mas não tem como, a gente não esconde nossa real personalidade por muito tempo. Ao menos de agora em diante posso me dar ao luxo de ser um vagabundo, preguiçoso e enrrolão.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Pausa

Esse post foi publicado originalmente no antigo Blog do Corey e não necessariamente representa a atual opinião do autor.

Como alguns já perceberam, estou a um tempão sem postar nada no blog e essa pausa continuará por tempo indeterminado. O principal motivo pra isso é falta de motivação, inspiração e vontade, como isso já aconteceu diversas vezes durante a vida do blog, sei que é uma fase e uma hora (cedo ou tarde) passará e a rotina de postagens voltará ao "normal". Mesmo se um dia desistir de vez do blog dificilmente irei deleta-lo mas de qualquer maneira sugiro aos recém chegados que aproveitem esse hiato e leiam as postagens antigas, tem muito material produzido por mim e muitas discussões fantásticas nos comentários, aproveitem! Vou liberando os comentários na medida do possível, não estou acessando o blog com tanta frequência. Abraço a todos!

quinta-feira, 2 de março de 2017

É Preciso ser Rico pra Viver no Brasil

Esse post foi publicado originalmente no antigo Blog do Corey e não necessariamente representa a atual opinião do autor.

Pablo e Mônica vivem em Portugal a 3 anos, se mudaram logo depois que Pablo conseguiu sua cidadania Portuguesa, queriam ter uma vida tranquila e simples, coisa que o avô português de Pablo jurava ser possível na terrinha. Pablo havia acabado de sair do emprego, tinha uma boa grana de FGTS e algumas economias além do carro quitado, Mônica estava trabalhando num emprego que não necessariamente era o melhor do mundo. Queriam uma experiência nova e a chance de ir pra Europa era absolutamente fascinante. Venderam carro, juntaram toda a grana que tinham e trocaram em Euro. O dinheiro era bom, suficiente pra viver 6 meses no Brasil sem trabalhar, acreditavam que em Portugal essa grana deveria render mais ou menos a mesma coisa.

E assim foram, chegando no Porto ficaram maravilhados com as paisagens, a arquitetura antiga e principalmente com a simpatia dos Portugueses. Alugaram um pequeno T0 (Tê-zero =  apartamento studio, kitnet) por 300 Euros e descobriram que essa com certeza seria a maior despesa quando fizeram sua primeira compra do mês (ou rancho para o pessoal do sul) por 50 Euros. Não cogitaram comprar carro, afinal os autobus (ônibus), comboios (trens), metro (Metrô) e electricos (bondes) davam conta de todo o deslocamento que precisavam ao custo de 30 Euros por mês....

Arrumaram emprego e logo Pablo e Mônica tinham um salário combinado de 1.200 Euros do qual pagavam todas suas despesas e ainda sobrava uma beiradinha pra viajar pela Europa de low-cost ou trem nos dias de folga. A grana que levaram do Brasil? Usaram algumas poucas centenas de Euros e aguardam uma oportunidade de investi-la em imóveis, com grande chance do montante ser o suficiente pra dar até 50% de entrada num apartamento.

A história acima saiu da minha cabeça mas nada impede de ser verdade, o custo de vida em grande parte da Europa é bizarramente barato, Portugal então nem se fala... É caríssimo viver no Brasil! Bia e eu somos simples e minimalistas, mesmo assim temos uma despesa de 4.500 a 5.000 reais por mês, converta pra Euro (a 3,50) e isso dá mais ou menos o que Pablo e Mônica ganhariam com empregos simples em Portugal*! Pra fechar meu raciocínio deixo o vídeo do Rafa onde explica bem melhor isso (aliás, passem no canal dele, tem muito conteúdo excelente).




* Sei que Portugal "está em crise" e que emprego por lá não é exatamente a coisa mais fácil de encontrar, mas é preciso entender alguns detalhes: 1- crise na Europa na prática é bem mais maneira que crise no Brasil, a maldita mídia (que o capiroto leve todos ao inferno) faz tempestade em copo d'água (palavra de quem foi pra Espanha em 2012 e viu de perto o que eles chamam de "crise"). 2- quem tem cidadania Européia tem vida normal e sem restrições por lá, aliás até a CNH brasileira tem valor lá (só trocar pela portuguesa pagando algumas taxinhas), ou seja, teoricamente compete de igual pra igual no mercado de trabalho. 3- Portugal tem mestrados e doutorados por 3, 4 mil Euros por ano e universidades de 500 anos de tradição, ou seja, é um excelente lugar pra se reciclar na profissão e logo melhorar a empregabilidade. 4- troque Portugal por Itália, Polônia, Alemanha e seja feliz.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

E-commerce, Grandes Redes e o Futuro do Pequeno Comerciante

Esse post foi publicado originalmente no antigo Blog do Corey e não necessariamente representa a atual opinião do autor.

No meu último post sobre empreender com simplicidade surgiu um interessante assunto: como o e-commerce e a concorrência das grandes redes de varejo está afetando a vida do pequeno comerciante. Hoje vou dar um pouco da minha opinião sobre esse assunto.



Tenho empreendido na forma de lojas de varejo a mais de 10 anos, já tive diversas lojas nos mais diferentes perfis de bairros, compradas com os mais diferentes objetivos, em breve pretendo fazer um relato sobre cada loja que tive, mas o objetivo agora é amparar meu ponto de vista nessa experiência que possuo. Vou resumir minha opinião: não vejo um futuro a longo prazo ao varejo independente e pra embasar melhor essa minha opinião vou descrever como enxergo os seguintes ramos: mercados, açougues, farmácias e postos de gasolina. Veja que esses ramos são o que considero tradicionais e que sempre deram dinheiro, são pontos de venda que praticamente 100% das pessoas frequentam todos os meses, não são sazonais (não diretamente), não são modinha, não são gourmet (em sua maioria), enfim fazem parte daquilo que sempre digo serem bons ramos pra se investir em comércio. Pode parecer inconsistente que primeiro eu diga que esses ramos são bons e depois decrete o fim deles mas explicarei melhor no final.

MERCADO: o nicho de mercados que o pequeno comerciante normalmente explora são os de mercadinhos de vila montados em pequenos salões, com variedade limitada de mercadoria e normalmente conhecidos por terem preço alto, o que nem sempre é verdade mas não importa, o que importa mesmo é a imagem que a população tem. As vantagens para o consumidor é a conveniência da localização próxima a regiões residenciais (ou mesmo dentro delas), agilidade de atendimento (dificilmente há filas), o tamanho compacto também ajuda na agilidade porque não é necessário andar quilômetros dentro de corredores e como quase nunca há rotação de mercadorias, o cliente sempre sabe onde está o que procura. As desvantagens ao cliente é o preço virtualmente maior que o das grandes redes, a baixa variedade de mercadorias e muitas vezes a baixa qualidade de alguns produtos.

  • INFLUÊNCIA DO E-COMMERCE: aos poucos grandes redes de supermercado estão trilhando certo sucesso na venda de "groceries" (desculpe, não sei um equivalente em português) pela internet. Isso se torna particularmente mais forte no público de alta renda e mais jovem. Ao andar por bairros de alto poder aquisitivo em São Paulo é normal ver os caminhõezinhos do Pão de Açúcar entregando nos prédios. No meu ponto de vista o e-commerce de supermercados ainda demora pra pegar, o cliente normalmente quer ver o que está comprando, pesquisar preços mais rapidamente (o que pode ser feito pela internet mas não é tão simples quanto olhar na prateleira), etc. Aqui os pequenos saíram na frente a muitos e muitos anos com a entrega a domicílio com bicicletas (muito comum na região central de São Paulo).
  • GRANDES REDES: aqui o bicho pega! De uns 5 ou 6 anos pra cá estamos presenciando uma verdadeira invasão das grandes redes de supermercado nos mercadinhos de vila. Pão de Açúcar Minuto, Mini Extra, Carrefour Express são alguns exemplos. Na minha opinião isso e não o e-commerce irá destruir os pequenos comerciantes de mercado. A razão é simples, pessoas associam essas marcas a boa variedade de produto com bom preço, o que não necessariamente é verdade todas as vezes mas novamente, o que importa é a imagem. Pra driblar isso existem vários modelos de franquias, associativismo e compartilhamento de bandeira mas isso tudo só faz diluir essas marcas trazendo pouca ou nenhuma expressão a não ser que o cara domine determinada região, o que de fato acontece muito principalmente nas periferias. Os grandes players estão mais concentrados atualmente nas regiões centrais das cidades mas é perceptível que estão expandindo para bairros grandes, depois será a vez dos bairros médios até dominarem a esmagadora maioria do mercado consumidor.
  • FUTURO DO COMERCIANTE DE MERCADO: acho que aqueles que estão nas regiões mais periféricas ainda terão ao menos mais uma década de relativa tranquilidade até serem engolidos pelas grandes redes varejistas. Aqueles que estão em locais onde essas redes já estão presentes acabarão encerrando suas atividades a não ser que "sejam criativos e busquem nichos que os grandes não conseguem explorar" , coloquei em itálico e sublinhado porque acredito que isso é possível somente para talvez 1% da galera, pro resto isso não é factível por diversos motivos: o empresário pode não ter saco pra tentar fazer isso, nichos se esgotam, falta dinheiro ou não é financeiramente viável, etc. É impossível concorrer com os grandes mesmo se você tiver uma loja melhor em qualidade e variedade de mercadoria, tiver preço melhor, tiver atendimento melhor... Mesmo assim o cara acaba indo no grande porque o cérebro manda. Eu faço isso e aposto que você também!
AÇOUGUE: os açougues estão espalhados por todo o país e são basicamente de dois tipos: os pequenos quase sempre tocados por seu próprio dono e os médios que normalmente pertencem a uma rede média que possui algumas dezenas de pontos de vendas. Ambos os modelos podem ser considerados empresas pequenas porque não possuem o modelo de empresas gigantes com capital aberto ou multinacional como acontece com mercados e farmácias, ou seja, açougue é na essência um comércio para pequenos comerciantes. O grande calcanhar de aquiles do ramo é a qualidade, é em volta dela que tudo gira, existe grande desconfiança em relação a higiene, qualidade, honestidade em relação a levar pra casa aquilo que realmente está comprando, etc.
  • INFLUÊNCIA DO E-COMMERCE: praticamente não existe e-commerce de carnes e o pouco que existe está relacionado com o e-commerce de mercados como relatei acima. Veja que aqui está uma grande característica que pode cutucar todos os ramos: os mercados vendem de tudo, logo o crescimento do e-commerce deles afeta todos os ramos, da venda de arroz a de remédios, passando pelas carnes. Concluo que o perigo para o dono de açougue é o crescimento e ampliação do e-commerce de mercados. ((by the way, a Swift também tem e-commerce (entenda a baixo)).
  • GRANDES REDES: não existem grandes redes de açougues (ao menos desconheço) mas um modelo de negócio muito interessante está despontando e acredito que venha pra ficar. A Swift (empresa fodona de carnes) lançou a algum tempo suas lojas de carnes que são pontos de venda sem manipulação de carnes, onde é venda somente a venda dos mais diversos cortes, tudo congelado e, diga-se de passagem, de altíssima qualidade. Lembra que falei sobre tudo girar em torno de qualidade? A Swift tem lojas bonitas, limpas e vende carne excelente por preço de mercado. A imagem das lojas transmite credibilidade ao contrário da esmagadora maioria dos atendentes de açougue, o fato da carne ser manipulada em ambiente industrial onde (teoricamente) há um rígido controle de higiene e qualidade aumenta ainda mais essa imagem. Além desse novo formato de venda de carnes é preciso entender que  não exista grandes redes de açougue mas as redes de supermercados influenciam muito o ramo. Por um lado essa influência não parece ser tão relevante afinal os mercados parecem vender carnes desde sempre e mesmo assim os açougues sobreviveram, na minha opinião isso deve-se a duas coisas: má fama da carne de mercado o que não parece ser verdade ao menos nos dias de hoje e resistência por parte do consumidor em comprar carnes pré cortadas em bandejas o que por muito tempo tem sido o padrão em mercados que combatem isso com balcões de atendimento. Vejo o exemplo dentro de casa: meu pai sempre repetiu que carne de mercado não presta, mas ele é um cara que parece conhecer carne, distinguir um pedaço de alcatra de um de maminha; característica essa que poucas pessoas possuem ou ao menos levam anos pra adquirir. Eu particularmente prefiro comprar carne olhando pra ela numa bandeja que pedindo pra um cara e descobrir o que comprei somente quando cheguei em casa... Esse parece ser o padrão da minha geração.
  • FUTURO DO COMERCIANTE DE AÇOUGUE: difícil dizer como isso caminhará, talvez daqui uns 3 ou 4 anos as coisas estejam mais claras mas basicamente acho que os açougues ainda continuarão firmes por mais tempo por diversos motivos relacionados a diversas características das diferentes classe sociais: os pobres encontram comodidade em comprar carne perto de casa, na promoção, mesmo sem saber ao certo o que estão comprando ou com qualidade duvidosa. A classe média pode resistir mais tempo ao "carne de bandeja é ruim" e continuar comprando no açougue, os ricos provavelmente não gostam do pré preparo das carnes de mercado ou da praticidade das Swift da vida (que ainda não possuem concorrente mas que com certeza terão num futuro próximo), ou seja, muitos açougues de "nicho" ainda serão necessários nos próximos anos. Uma coisa importante pra lembrar é que açougue é (e deve ser mesmo) extremamente regulado pelos órgãos de fiscalização, isso é um grande problema ao comerciante porque traz dor de cabeça e aumento de custos, mas se o cara entra num ramo desses não tem o direito de reclamar sobre isso.

FARMÁCIA: outro tradicional comércio espalhado por todos os confins do Brasil, todo bairro tem ao menos uma farmácia pequena quase sempre tocada pelo farmacêutico onde você pode não encontrar o melhor preço e variedade mas terá uma explicação sobre como tomar um remédio ou mesmo uma consulta informal onde não é preciso marcar hora com o profissional de saúde, nem dizer seu nome, basta falar que você anda meio brocha e que precisa de uma vitamina, o cara do lado de dentro do balcão vai te ajudar sem julgar por isso. O grande problema em empreender nesse ramo é o custo elevado de estoque, de mão de obra e a regulação estatal.

  • INFLUÊNCIA DO E-COMMERCE: a internet pode não matar as farmácias pequenas mas com certeza tem machucado muito, quase todo mundo que conheço e faz uso contínuo de determinado medicamento acaba comprando on-line por preços inacreditavelmente menores que qualquer farmácia física. O e-commerce de medicamentos parece ser forte mas esbarra em diversos obstáculos: se você tem uma dor forte não vai esperar 2 dias pra receber seu remédio, se você precisa de um remédio controlado não conseguirá comprar pela internet, alguns remédios que tem descontos diferenciados ou planos de saúde que oferecem descontos somente podem ser adquiridos em determinadas redes e em suas lojas físicas, ou seja, o e-commerce tende a matar o comércio de medicamentos de uso contínuo mas não os de uso emergencial ou com características especiais. Sem contar que como disse acima muitas vezes você quer conversar com o farmacêutico sobre algum assunto o que não ocorre pela internet, ou seja, o fator humano ainda é muito importante nesse ramo.
  • GRANDES REDES: as grandalhonas do ramo de farmácia estão expandindo feito malucas, parece farmácia é o único comércio que está crescendo (realmente é, basta ver os números), aqui na minha região aparece uma Drogaria São Paulo nova e logo uma Drogasil, Droga Raia e PagMenos, ou seja, um lugar que fora dominado por determinada farmácia independente durante anos, de repente é tomada por 3 ou 4 lojas de grandes redes que ofereceram uma variedade de mercadoria muito maior por ao menos o mesmo preço que o comerciante do bairro. Impossível concorrer! E se as fodonas não fossem o bastante ainda temos o nosso velho amigo (ou inimigo) supermercado de rede que está em todos os lugares e comendo por todos os lados. Praticamente todo supermercado de tamanho razoável tem sua própria drogaria que segue o mesmo padrão de trabalho que as big box do setor.
  • FUTURO DO COMERCIANTE DE FARMÁCIA: acho que as farmácias seguem o mesmo que disse sobre mercados, haverá uma forte quebradeira nos próximos anos e depois os fortes sobreviverão e explorarão nichos específicos, a regulação, o alto investimento, a redução da rentabilidade, o desinteresse da população pelos serviços oferecidos pelos pequenos em prol da variedade e preço dos grandes irá tirar muita gente do mercado.
UMA VISÃO DO EXTERIOR

Sempre que viajo tento entender como os modelos de negócios funcionam pra tentar prever como a coisa evoluirá no Brasil, já que querendo ou não, a influência e tendência sempre começa lá fora.

Nos Estados Unidos existem poucos comércios que não são pertencentes a grandes redes ou franquias, os mercadinhos existem de maneira muito semelhante ao Brasil, quase todo mall americano tem um mercadinho tocado por independente (quase sempre imigrante indiano ou latino) mas esses mercado possuem a caraterística de nicho: vendem produtos étnicos, regionais, prestam serviços financeiros, obtêm renda de outras fontes como comissões de caixas eletrônicos e loterias, grande parte estão dentro do formato de lojas de conveniência junto a postos de combustível recebendo comissões da venda de gasolina, etc. Assim como aqui eles não parecem sentir muito o peso do e-commerce pois o modelo é baseado na conveniência e urgência, mas sentem a fortíssima concorrência das grandes redes como 7-11 e Race Track. O WalMart retirou quase a totalidade de mercados médios (recomendo ler a biografia do Sam Walton) e mesmo várias redes grandes. Açougue como conhecemos aqui é raríssimo de se ver e quando existe é quase sempre algo gourmet vendendo carnes diferentes, todo mundo compra carne no mercado. Lá na terra do Tio Sam praticamente não existem farmácias independentes, sendo que o mercado é dominado por Walgreens, CVS e as farmácias dos mercados. As poucas independentes servem a públicos específicos como imigrantes.

Não manjo muito de Europa mas o que vejo por lá é um modelo de supermercados bem semelhante ao que temos aqui: mercadinhos de vila independentes são bem comuns assim como os minis das grandes redes, a diferença é que os independentes parecem ser mais fortes que aqui, talvez por terem aparência mais profissional e próxima a das redes, talvez por alguma preferência do próprio consumidor. Açougues são comuns e semelhantes aos daqui mas sofrem grande concorrência dos Mercadões Municipais que assim como o de São Paulo, reúnem todo tipo de mercadoria sendo que o comércio de carne parece ser particularmente forte. O modelo de farmácia é completamente diferente ao que encontramos no Brasil e EUA, por lá existe a forte figura do farmacêutico em pequenos estabelecimentos, não existem lojas grandes e parece haver grande controle de preço o que acaba diminuindo drasticamente a concorrência. Em Portugal o valor do medicamente vem escrito na receita e tanto faz onde você vai comprar que pagará o mesmo valor (subsidiado), na Espanha existe algo semelhante a isso, portanto aqui não vejo como comparar.

Resumindo: se você pretende ter um comércio pro resto da vida, fazer carreira em determinado ramo acredito que deva pensar melhor nessa estratégia, mas existem N outras maneiras de ganhar dinheiro com comércios. Na minha opinião querer formatar uma empresa de maneira a ter um crescimento orgânico e deixa-la para seus herdeiros não é factível pois estamos vendo muitas modificações no mercado e muitas outras virão, a vida do comerciante pequeno está cada vez mais difícil e ficará ainda pior. Dá pra surfar em algumas ondas e depois sair delas enquanto é tempo mas esperar um mar tranquilo e com bons ventos é temerário.

Bom, por hoje é isso, espero que minha opinião seja útil e que tenha conseguido trazer informações relevantes a blogosfera.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Empreendendo com Simplicidade

Esse post foi publicado originalmente no antigo Blog do Corey e não necessariamente representa a atual opinião do autor.

Um assunto muito interessante surgiu no meu último post. Um leitor perguntou como faço pra viajar se tenho empresas e devo permanecer de olho nelas, outros abordaram a questão de indicadores que podem ou não ser úteis na administração de um negócio. Hoje vou destrinchar um pouco mais esse assunto...

Sei que as vezes sou meio repetitivo, mas serei novamente hoje. Sou minimalista, tento levar tudo na minha vida da maneira mais simples possível, partindo desse princípio vou esmiuçar algumas opiniões que tenho sobre administração de empresas.

Deixar a empresa na mão de funcionários e viajar: nunca tive problema com isso, não tenho o menor apego com minhas lojas, nunca tive. As lojas são somente algo que me trazem dinheiro, mais nada. Ter loja não me traz prazer algum, não me desenvolve como profissional (muito pelo contrário, na última década abandonei minha profissão de verdade em prol de ganhar dinheiro com lojas), não tenho um "propósito", uma "missão" com minhas lojas, não quero transformar o mundo, melhorar o dia-a-dia das pessoas, nada disso. Eu só quero dinheiro, ponto final. Logo não vejo razão alguma em ficar com ciuminho, mi mi mi com minhas lojas... Se um funcionário fizer uma cagada, foda-se, se um funcionário me roubar, foda-se. Ter empresa é aprender a enfiar dinheiro no orifício corrugado, diariamente você perde dinheiro: impostos que você nem sabe o que está pagando, mercadoria que você perde por vários motivos, taxas e mais taxas, etc. Logo se eu perder um pouco porque meu funcionário me roubou estou cagando e andando... Não vale a pena esquentar com isso, não há controle absoluto sobre isso. O máximo que consigo fazer é tentar selecionar pessoas que aparentemente são honestas, manter um ambiente de trabalho que favoreça o funcionário e pagar um pouco acima da média, coisas que podem desestimular fraudes (veja, eu disse desestimular e não eliminar). Você acha que as grandes empresas fazem muito diferente disso? Já estive por dentro de uma empresa assim e sei que não muda muito, quem quiser roubar, vai roubar! Você acha que se o Sam Walton se preocupasse tanto com roubo de funcionário o Wal Mart seria o que é hoje? Então porquê caralhos eu vou esquentar com isso?

O outro assunto, os indicadores da saúde da empresa, aquelas siglas bizarras que os colegas investidores em ações sabem de cor e salteado e que eu não sei porra nenhuma. Não sei calcular, não sei o que são e pra que servem e mesmo assim minhas lojas sempre me deram lucro. Por quê? Essa é uma pergunta que vou tentar responder de forma simples: Porque não preciso! Esses dados são totalmente irrelevantes pro dia a dia de uma loja do varejo. Na minha opinião tudo o que você precisa pra ter sucesso no varejo é:

1- Um ramo "comum", ou seja, ter uma loja de algo que todo mundo compra, o pobre, o rico compra diariamente ou mensalmente, nada sazonal, nada revolucionário, nada inovador. Você não precisa reinventar a roda! Claro que seu o seu aplicativo pica das galaxias for descoberto pelo Google você ganhará quatrilhões de dolares mas qual a chance disso acontecer? E qual a chance de ter sucesso vendendo carne, batata, remédio, gasolina? Entende?

2- Um ponto que presta. Não adianta montar sua loja no meio do nada, no meio de uma vila sem comércio algum por perto, num lugar sem vaga de estacionamento, sem visibilidade, sem acessibilidade, etc. Não adianta pagar um aluguel barato se o ponto é um bosta.

3- Empresa deve ter lucro. Esse negócio de ter lucro negativo é coisa de empresa aérea e não consigo entender como conseguem. Sua lojinha deve dar lucro desde o primeiro dia, se isso não acontecer seu negócio não dará certo. Se você vende um produto por 10 reais ele deve custar 10 reais ou menos. Parece óbvio, mas tem muita gente perdendo dinheiro por aí na ilusão que queimar um produto vai trazer cliente, visibilidade or whatever. Esqueça, isso é tiro no pé. Se você não consegue manter uma margem de lucro decente porque seus concorrentes queimam mercadoria, retire-se do local ou mesmo saia fora do negócio.

4- Sua venda deve ter volume. Não adianta ter uma rentabilidade de 90% se você vende 1000 reais por mês. Se sua loja não tiver um volume decente de vendas não vai pagar aluguel, não vai pagar funcionários, impostos e muito menos seu pro labore. Vejo um monte de lojinha de 5, 6k de venda mensal sendo vendida. Porra, como você vai sustentar algo assim que na melhor das hipóteses vai te deixar 3, 4k BRUTO?!?!

5- Por último e mais importante: você deve saber um mínimo de matemática. Sim, matemática, aquela de primário (no meu tempo era primário), aquela matemática realmente útil que você aprende na escola até a 3ª série (depois disso só aprende coisa inútil pra encher linguiça). Você precisa saber somar, subtrair, multiplicar, dividir, fazer conta de porcentagem e mais nada. Lembre-se que você usará uma calculadora ou planilha pra fazer as contas propriamente ditas mas deve conhecer e entender como chegar no resultado desejado. Mais uma vez parece óbvio, mas conheço muita gente que não sabe isso, não tem noção de matemática básica, conheço gente que não conhece dinheiro, isso mesmo, parece não conhecer as cédulas e moedas (como acontece conosco no exterior). É amigos, o mundo está bem pior do que você pensa....

6- Trabalhar com dinheiro dos outros é coisa de empresa gigante, pobrões como nós trabalhamos com capital próprio SEMPRE. Acredite, 99% das empresas familiares, das pequenas redes de varejo e dos independentes de sucesso não usam dinheiro emprestado, eles crescem organicamente com auto-financiamento. Repense o lance de "dívida boa"...

Grande parte dos comerciantes de sucesso são semi-analfabetos mas eles são espertos o suficiente pra ter empresas de sucesso. Por quê?  A cautela e medo de fazer merda os fazem crescer melhor, todos eles seguem os 6 passos que relatei acima. O resultado são pequenas redes de mercadinhos regionais, farmácias de vila, bares e lanchonetes que bombam na mão de seus criadores e quebram quando caem nas mãos dos filhos formados na FGV com MBA na Casa do Caralho... Por quê? Porque eles querem goumertizar o negócios de seus pais e acabam fazendo merda. O jeitão tosco e simples dos velhos, que 100% das vezes nem sabem ligar um computador e fazem sua contabilidade na caderneta ou papel de pão SEMPRE dá certo.

Resumindo: sou militante pela desgoumertização da administração de empresas!